Que segredos rodeiam
a vida de António
Augusto Millhouse
Pascal, um velho
senhor que se
esconde do mundo num
casarão de
província,
acompanhado de três
netos insolentes, um
jardineiro soturno e
um rol de clientes
tão abastados e
influentes como
perigosos e loucos?
São estes mistérios
que o narrador - um
rapaz de família
modesta - procurará
desvendar durante
mais de um quarto de
século, não podendo
adivinhar que o
emprego que lhe é
oferecido por aquela
estranha personagem
se irá transformar
numa obsessão que
acabará por consumir
a sua própria vida.
Passando pelo
Alentejo, por Lisboa
e por Nova Iorque em
plenos anos oitenta
- época de todas as
ganâncias - e
cruzando a história
sangrenta do século
XX com a das
personagens, As Três
Vidas é,
simultaneamente, uma
viagem de
autodescoberta
através do «outro» e
a história da paixão
do narrador por
Camila, a neta mais
velha de Millhouse
Pascal, e do destino
secreto que a
aguarda; que estará,
tal como o do avô,
inexoravelmente
ligado à sorte de um
mundo que ameaça, a
qualquer momento,
resvalar da corda
bamba em que se
sustém.
“Quando chegámos
a Santiago, chovia
abundantemente.
Passámos as piscinas
municipais, a Praça
do Município, e
quando chegámos à
estação apeei-me,
carregando a pequena
mala pelas estreitas
ruas ensopadas.
Nunca havia estado
naquela cidade e,
por entre o cinzento
do céu, pude ver a
chuva caindo sobre
palmeiras e um
castelo distante.
Segui as indicações
de Artur e dirigi-me
à Praça do Conde
Bracial pelos
caminhos de calçada
que ladeavam as
ruelas íngremes. No
centro da minúscula
praça havia um
monumento de 1845,
uma espécie de seta
apontada aos céus,
no cimo da qual a
cruz de Cristo se
lamuriava. Subi a
Travessa de João
Barros, passei em
frente de uma
pequena estação de
rádio; junto da
Calçada do Castelo,
encontrei a casa que
o jardineiro me
indicara, um velho
palacete que parecia
abandonado, onde
supostamente nos
iríamos encontrar.”
10º B









