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Biografia
Jorge Leal Amado de Faria nasceu
em Itabuna no dia 10 de agosto de 1912 e faleceu em Salvador, no
dia 6 de agosto de 2001.
Viveu em Itabuna a maior parte da sua infância e esta cidade
serviu-lhe de inspiração para alguns dos romances que escreveu.
Estudou na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de
Janeiro.
Foi jornalista, e envolveu-se com a política ideológica,
tornando-se comunista, como muitos da sua geração. Viveu exilado
na Argentina, no Uruguai, em Paris e em Praga.
Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista
Brasileiro (PCB), o que lhe rendeu fortes pressões políticas.
Como deputado, foi o autor da modificação que garantiu a
liberdade religiosa. Também foi autor da modificação que
garantia os direitos de autor. Por outro lado, votou com o (PCB)
na modificação que proibia a entrada no país de imigrantes
japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência.
Foi casado com Zélia Gattai, também escritora, que o sucedeu na
Academia Brasileira de Letras, e teve três filhos: João Jorge,
Paloma e Eulália.
Os problemas e injustiças sociais, o folclore, a política,
crenças e tradições e a sensualidade do povo brasileiro são
temas constantes nas suas obras.
As obras, 49 livros, voltadas para as suas raízes, são das mais
significativas na ficção moderna brasileira.
Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos de
autor dos seus livros.
O autor escreveu:
• Romances: O País do Carnaval (1930), Cacau
(1933), Suor (1934), Jubiabá (1935), Mar morto
(1936), Capitães da areia (1937), Terras do Sem-Fim
(1943), São Jorge dos Ilhéus (1944), Seara
vermelha (1946), Os subterrâneos da liberdade (1954),
Gabriela, cravo e canela (1958), A morte e a morte de
Quincas Berro d'Água (1961), Os velhos marinheiros ou o
capitão de longo curso (1961), Os pastores da noite
(1964), O Compadre de Ogum (1964), Dona Flor e Seus
Dois Maridos (1966), Tenda dos milagres (1969),
Teresa Batista cansada de guerra (1972), Tieta do Agreste
(1977), Farda, fardão, camisola de dormir (1979),
Tocaia grande (1984), O sumiço da santa (1988) e A
descoberta da América pelos turcos (1994);
• Poesia: A estrada do mar (1938);
• Biografias: ABC de Castro Alves (1941) e O cavaleiro
da esperança (1942);
• Guia: Bahia de Todos os Santos (1945);
• Teatro: O amor do soldado (1947);
• Viagens: O mundo da paz (1951);
• Uma historieta infanto-juvenil: O gato Malhado e a
andorinha Sinhá (1976);
• Um conto: Do recente milagre dos pássaros (1979);
• Memórias: O menino grapiúna (1982) e Navegação de
cabotagem (1992);
• Literatura infantil: A bola e o goleiro (1984);
• Uma Fábula: O milagre dos pássaros (1997);
• Uma crónica: Hora da Guerra (2008).
É o autor mais adaptado da
televisão brasileira. Verdadeiros sucessos como Tieta do
Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista
Cansada de Guerra são criações suas, assim como Dona Flor
e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres.
A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações
para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de
escolas de samba por todo o Brasil. Os seus livros foram
traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também
exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.
Iniciou-se o processo de revisão da sua obra em 1995 pela sua
filha Paloma e os livros ganharam um novo projeto gráfico.
Em 1951, recebeu o Prémio Stalin da Paz, depois renomeado para
Prémio Lenine da Paz. Recebeu também títulos de Comendador e de
Grande Oficial, nas ordens da Argentina, Chile, Espanha, França,
Portugal e Venezuela, além de ter sido feito Doutor Honoris
Causa por dez universidades no Brasil, Itália, Israel, França e
Portugal. O título de Doutor pela Sorbonne, em França, foi o
último que recebeu pessoalmente, em 1998, na sua derradeira
viagem a Paris, quando já estava doente.
7º B
Jorge Amado O GAto Malhado e a Andorinha Sinhá, Lisboa, Leya, 2010
O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá
Esta é a história de
um gato e de uma
andorinha que, sem
darem por isso, se
apaixonam. Nas
estações de
primavera e verão
vivem a sua paixão
proibida às
escondidas. Por
serem de mundos tão
diferentes, estão
condenados a não
ficar juntos. O
outono torna-se uma
estação de
sofrimento, pois os
pais de Sinhá
descobrem o seu
segredo e arranjam
um noivo para a
Andorinha. No início
do inverno, chega o
dia mais triste da
vida do Gato Malhado
e também o último,
pois o Gato não
aguenta e dirige-se
à gruta onde mora a
cobra que o devora.
“(...) Febril, foi
ao lago beber água e
na água também
enxergou a Andorinha
que sorria. E a
reconheceu em cada
folha, em cada gota
de orvalho, em cada
réstia de sol
crepuscular, em cada
sombra da noite que
chegava.(...)”
“Voou rente sobre o
Gato Malhado,
tocou-o de leve com
a asa esquerda, ele
podia ouvir os
latidos do pequeno
coração da Andorinha
Sinhá. Ela ganhou
altura, de longe
ainda o olhou, era o
último dia de
Verão.”
“(...) porque uma
Andorinha não pode
casar-se com um
Gato. Como já o
fizera certo dia,
voou sobre ele num
vôo rasante,
tocou-lhe com a asa
esquerda - era a sua
maneira de beijar –
e ele não pode desta
vez ouvir o bater do
pequeno coração da
Andorinha, tão
fracos eram os seus
latidos. Pelos ares
ela se foi, não
olhou para trás.”