A obra Felizmente Há
Luar! traduz a
revolta de uma
sociedade dominada
pelo autoritarismo,
pelo abuso de poder.
A história da peça
passa-se no século
XIX, em 1817, época
de grande agitação
social. Luís de
Sttau Monteiro
denuncia de uma
forma subtil o clima
de opressão e de
injustiça social
vivido durante o
regime salazarista,
através desta época
particular da
história.
O autor utiliza com
grande mestria a
chamada técnica da
distanciação
histórica, inspirada
no teatro épico de
influência
brechtiana. Por meio
deste recurso e da
descrição das
injustiças
praticadas no início
do século XIX coloca
em destaque as
desigualdades
sociais, o medo, a
opressão, as ameaças
da PIDE impostos
pelo Estado Novo,
período testemunhado
pelo próprio autor.
O mérito da peça
reside na forma como
promove no
espectador uma
atitude de reflexão
e de crítica. O
objetivo é
despertá-lo para uma
realidade, levando-o
a pensar e a
entender de forma
clara a mensagem da
peça, por meio de
gestos, palavras,
cenários,
didascálias e focos
de luz.
No final, a réplica
de Matilde -
Felizmente –
felizmente há luar!,
traduz
simbolicamente a
luz, a esperança de
todos os oprimidos e
a continuação da sua
resistente e heróica
luta pela liberdade.
12º F
"Vê-se
a gente livre dos
Franceses, e zás!
Cai nas mãos dos
Ingleses. E agora?
Se acabamos com os
Ingleses ficamos na
mão dos reis do
Rossio…"
"Um amigo do povo» e
«um homem às
direitas".
"Numa terra onde só
cortam as árvores
para que não façam
sombra aos
arbustos."
"Todos somos
chamados, pelo menos
uma vez, a
desempenhar um papel
que nos supera. É
nesse momento que
justificamos o resto
da vida, perdida no
desempenho de
pequenos papéis
indignos do que
somos."
"É verdade que a
execução se
prolongará pela
noite, mas
felizmente há luar…"
Luís de Sttau
Monteiro,
Felizmente há Luar,
Porto, Areal, 2005









