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Autor em destaque

Dezembro 2012 - 11º B

Miguel Sousa Tavares

Biografia

Miguel Sousa Tavares nasceu a 25 de Junho de 1952. Filho do advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares e da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, Miguel Sousa Tavares é natural do Porto. Licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa. Foi advogado em Lisboa durante mais de uma década.

Estreou-se no jornalismo em 1978. Das suas incursões literárias resultaram compilações de crónicas, vários romances, livros de contos e uma história infantil.
Equador, em 2003, foi um best-seller, estando traduzido em mais de uma dezena de línguas estrangeiras.
Rio das Flores, em 2007, teve uma primeira tiragem de 100 mil exemplares.


Inês José e Ruben Cunha
, 11ºB

 

 
Miguel Sousa Tavares
Equador, Lisboa, Oficina do Livro, 2003

 

Equador

Equador é, como não podia deixar de ser, uma obra de peso que só poderia alcançar o sucesso estrondoso que obteve e continua a obter. Não é difícil perceber a razão de tamanho êxito, quando nos entregamos à leitura deste livro e o devoramos de fio a pavio.
Através duma escrita simples e acessível, Miguel de Sousa Tavares transporta-nos para o início do século XX, fazendo-nos seguir os passos do protagonista Luís Bernardo Valença durante a sua vida errante na metrópole e a sua demanda em São Tomé e Príncipe. A personalidade marcante de Luís Bernardo e o desenrolar da história, na qual é explorado, não só o seu lado profissional, como também o seu lado pessoal e emocional, conjugados com o seu tórrido romance, oferecem ao leitor os ingredientes essenciais de uma boa trama, fazendo-o apaixonar-se por completo pela obra.
O leitor vai, assim, deliciando-se, página a página, capítulo a capítulo, com um romance eximiamente bem conseguido, a que se adicionam descrições duma Lisboa do início do século XX e de paisagens exóticas, quer da Índia, quer de São Tomé e Príncipe, capazes de nos fazerem viajar não só aos destinos em causa, como também ao tempo em causa. Além de todos estes aspetos, é possível ainda apercebermo-nos do excelente trabalho de representação da sociedade da época e do estado da monarquia portuguesa, conseguido através das caracterizações rigorosas dos diferentes personagens do enredo.
A narrativa sólida e cativante de Equador prende-nos da primeira à última página, fazendo-nos devorar por completo a obra, sem conseguir parar de ler. Não sei se por indignação se por fascínio, Miguel de Sousa Tavares conseguiu prender-me a atenção em cada página, fazendo-me perder por completo a noção do tempo e consumir-me no enredo.

Joana Costa, 11ºB
 

 

(…) Pese a muitas consciências instaladas em maus hábitos ou em maus princípios, a razão por que me ofereci para defender dois réus indefesos e a razão por que estou aqui como governador das ilhas é uma e a mesma: porque eu, e muita gente comigo, entendo que chegou a altura de Portugal ser, não apenas um país colonizador, mas também um país civilizador. Que podemos e devemos colher os frutos do nosso trabalho e da nossa riqueza colonial que devemos aos nossos antepassados, mas que nada nos desobriga de trazer em troca o progresso e a civilização. E não há progresso nem civilização onde a riqueza produzida resulta da sujeição dos nativos a métodos de trabalho que são mais próprios da Idade Média do que do século XX. E se proclamamos aos que no estrangeiro nos acusam de tais métodos que, para nós, todos são portugueses – apenas uns da metrópole e outros das colónias – não podemos ter para os trabalhadores portugueses da metrópole sindicatos livres e liberdade de contratação do trabalhador e ter, para os trabalhadores portugueses das colónias, ainda a lei do chicote ou o estatuto do servo da gleba – mesmo que essa seja, como julgo e creio, a exceção e jamais a regra. Estes dois réus que aqui estão hoje, são – porque assim o quisemos, assim o definimos e assim o proclamamos ao mundo – cidadãos portugueses. É verdade que são negros e nem português falam, mas são tão portugueses como eu ou qualquer um de nós – os da metrópole – nesta sala. (…)

Miguel Sousa Tavares, Equador, Lisboa, Oficina do Livro, 2003
 

 

 

Miguel Sousa Tavares: Todos os textos devem ter uma sonoridade

 
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=rTgTWX1frZc acedido a 04/12/2012

 


Rodrigo Leão - A Valsa Do Equador

 
Fonte: http://youtu.be/oT5z3rY0n_g acedido a 04/12/2012

Os Direitos Inalienáveis do leitor

1
O direito de não ler

2
O direito de saltar páginas

3
O direito de não acabar um livro

4
O direito de reler

5
O direito de ler não importa o quê

6
O direito de amar os heróis dos romances

7
O direito de ler não importa onde

8
O direito de saltar de livro em livro

9
O direito de ler em voz alta

10
O direito de não falar do que se leu

in: Daniel Pennac, Como um Romance, Porto, Asa, 1994