Equador é, como não
podia deixar de ser,
uma obra de peso que
só poderia alcançar
o sucesso estrondoso
que obteve e
continua a obter.
Não é difícil
perceber a razão de
tamanho êxito,
quando nos
entregamos à leitura
deste livro e o
devoramos de fio a
pavio.
Através duma escrita
simples e acessível,
Miguel de Sousa
Tavares
transporta-nos para
o início do século
XX, fazendo-nos
seguir os passos do
protagonista Luís
Bernardo Valença
durante a sua vida
errante na metrópole
e a sua demanda em
São Tomé e Príncipe.
A personalidade
marcante de Luís
Bernardo e o
desenrolar da
história, na qual é
explorado, não só o
seu lado
profissional, como
também o seu lado
pessoal e emocional,
conjugados com o seu
tórrido romance,
oferecem ao leitor
os ingredientes
essenciais de uma
boa trama, fazendo-o
apaixonar-se por
completo pela obra.
O leitor vai, assim,
deliciando-se,
página a página,
capítulo a capítulo,
com um romance
eximiamente bem
conseguido, a que se
adicionam descrições
duma Lisboa do
início do século XX
e de paisagens
exóticas, quer da
Índia, quer de São
Tomé e Príncipe,
capazes de nos
fazerem viajar não
só aos destinos em
causa, como também
ao tempo em causa.
Além de todos estes
aspetos, é possível
ainda
apercebermo-nos do
excelente trabalho
de representação da
sociedade da época e
do estado da
monarquia
portuguesa,
conseguido através
das caracterizações
rigorosas dos
diferentes
personagens do
enredo.
A narrativa sólida e
cativante de Equador
prende-nos da
primeira à última
página, fazendo-nos
devorar por completo
a obra, sem
conseguir parar de
ler. Não sei se por
indignação se por
fascínio, Miguel de
Sousa Tavares
conseguiu prender-me
a atenção em cada
página, fazendo-me
perder por completo
a noção do tempo e
consumir-me no
enredo.
Joana Costa,
11ºB
“(…) Pese a
muitas consciências
instaladas em maus
hábitos ou em maus
princípios, a razão
por que me ofereci
para defender dois
réus indefesos e a
razão por que estou
aqui como governador
das ilhas é uma e a
mesma: porque eu, e
muita gente comigo,
entendo que chegou a
altura de Portugal
ser, não apenas um
país colonizador,
mas também um país
civilizador. Que
podemos e devemos
colher os frutos do
nosso trabalho e da
nossa riqueza
colonial que devemos
aos nossos
antepassados, mas
que nada nos
desobriga de trazer
em troca o progresso
e a civilização. E
não há progresso nem
civilização onde a
riqueza produzida
resulta da sujeição
dos nativos a
métodos de trabalho
que são mais
próprios da Idade
Média do que do
século XX. E se
proclamamos aos que
no estrangeiro nos
acusam de tais
métodos que, para
nós, todos são
portugueses – apenas
uns da metrópole e
outros das colónias
– não podemos ter
para os
trabalhadores
portugueses da
metrópole sindicatos
livres e liberdade
de contratação do
trabalhador e ter,
para os
trabalhadores
portugueses das
colónias, ainda a
lei do chicote ou o
estatuto do servo da
gleba – mesmo que
essa seja, como
julgo e creio, a
exceção e jamais a
regra. Estes dois
réus que aqui estão
hoje, são – porque
assim o quisemos,
assim o definimos e
assim o proclamamos
ao mundo – cidadãos
portugueses. É
verdade que são
negros e nem
português falam, mas
são tão portugueses
como eu ou qualquer
um de nós – os da
metrópole – nesta
sala. (…)”
Miguel Sousa
Tavares, Equador, Lisboa,
Oficina do Livro, 2003









