||| ESCOLA SECUNDÁRIA MANUEL DA FONSECA    SANTIAGO DO CACÉM

 
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mediateca

 

Os Direitos Inalienáveis do leitor

1
O direito de não ler

2
O direito de saltar páginas

3
O direito de não acabar um livro

4
O direito de reler

5
O direito de ler não importa o quê

6
O direito de amar os heróis dos romances

7
O direito de ler não importa onde

8
O direito de saltar de livro em livro

9
O direito de ler em voz alta

10
O direito de não falar do que se leu

in: Daniel Pennac, Como um Romance, Porto, Asa, 1994

 

Autor do Mês
Maio 2010

Cesário Verde

Biografia

“...a mim o que me rodeia é o que me preocupa." 

José Joaquim Cesário Verde nasceu em 25 de Fevereiro de 1855, na Rua da Padaria, bem próximo da Sé de Lisboa.

Ainda jovem, começa por ajudar o pai na sua loja de ferragens da Baixa lisboeta. Em 1873, com 18 anos, matricula-se no Curso Superior de Letras (que frequenta apenas por alguns meses), onde conhece o jornalista Silva Pinto. Nesse mesmo ano, começa a publicar os seus primeiros poemas no Diário de Notícias, e nos anos seguintes nos jornais Ocidente (de Lisboa), Diário da Tarde, Renascença, Tribuna e Jornal de Viagens (do Porto) e Mosaico (Coimbra), entre outros. Depois de ter publicado "O Sentimento dum Ocidental", em 1880, cujas críticas não lhe foram favoráveis, deixa de publicar durante quatro anos, para se dedicar em exclusivo à vida prática.

É sobretudo nessa altura que desenvolve os negócios da família, proprietária desde 1869 de uma quinta em Linda-a-Pastora. Começa então a frequentar cada vez mais os meios literários e as tertúlias intelectuais. Faz parte do grupo boémio que se reúne no Café Martinho, onde se cruza com nomes como Guerra Junqueiro, Gomes Leal, João de Deus, Fialho de Almeida, etc. Mais tarde, frequenta a Cervejaria Leão de Ouro, onde reúne o Grupo do Leão, com escritores como Abel Botelho, Alberto de Oliveira, Fialho de Almeida, Gualdino Gomes e pintores como José Malhoa, Silva Porto, Columbano e Rafael Bordalo Pinheiro.

Em 1877 queixa-se dos primeiros sintomas de tuberculose, doença que o viria a vitimar anos mais tarde. Em 1884, deixa de frequentar os meios literários. Ainda tenta recuperar da doença refugiando-se em Caneças, mas o seu estado de saúde não deixou de se agravar. Morre em 19 de Julho de 1886, com 31 anos de idade, em casa de amigos, no Paço do Lumiar. No ano seguinte, o seu amigo Silva Pinto, com a colaboração de Jorge Verde, irmão do poeta,  reúne os seus trabalhos dispersos e edita O Livro de Cesário Verde.

Dividindo a poesia com as funções de ferrageiro/lavrador, a obra de Cesário Verde expressa uma oposição ao lirismo tradicional, procurando um tom natural, que valorizasse a linguagem do concreto e do coloquial, por vezes até com cariz técnico, abrindo caminho ao modernismo e ao neo-realismo, e influenciando decisivamente poetas posteriores, como Fernando Pessoa, António Nobre, Camilo Pessanha, Roberto de Mesquita, Mário de Sá-Carneiro. Na sua época, porém, o carácter prosaico dos seus versos, o seu realismo, não reuniram muitos admiradores, nem no meio intelectual, nem nas críticas da imprensa, como anteriormente se fez notar.

A propósito de Cesário

"Leio até me arderem os olhos

O livro de Cesário Verde.
Que pena que tenho dele! Ele era um camponês

Que andava preso em liberdade pela cidade.”

Alberto Caeiro, O GUARDADOR DE REBANHOS, Poema III, in Obras de Fernando Pessoa, vol. I, Lello & Irmão - Editores, Porto, 1986

 

Ao contrário da prosa de Eça, de Ramalho ou de Camilo, a sua poesia é de tal forma revolucionária que parece vir de outro planeta. As circunstâncias históricas e pessoais são incapazes de explicar a sua voz: é isso que o torna genial.

Maria Filomena Mónica  

 

Fonte: http://dn.sapo.pt/2008/01/31/artes/cesario_verde outros.html, acedido a 21/05/2010

 


Cesário Verde
O Livro de Cesário Verde, Lisboa Minerva,s.d.,  189p.
Cota: 821.134.3''18'' VER LIV

 

O Livro de Cesário Verde

A poesia de Cesário Verde reflecte a crise do naturalismo e o desencanto pela estética realista. O poeta empenha-se no real, é certo, porém a instância da visão subjectiva é marcante ao ponto de fazer vacilar a concepção de Cesário Verde como poeta realista.» (Elisa Lopes). Mesmos nos textos mais frequentemente citados como realistas, encontramos já um olhar subjectivo (porque selectivo), valorativo, que se manifesta num impressionismo pictórico, pois mais do que a representação do real importa a impressão do real, que suplanta o real objectivo. A realidade é mediatizada pelo olhar do poeta, que recria, a partir do concreto, uma super-realidade através da imaginação transfiguradora, metamorfoseando o real num processo de reinvenção ou recontextualização precursora da estética surrealista. Abre à poesia as portas da vida e assim traz o inestético, o vulgar, o feio, a realidade trivial e quotidiana. A. C. Monteiro chama-lhe «o pendor subversivo». Forte componente sinestésica (cruzamento de várias sensações na apreensão do real), de pendor impressionista, que valoriza a sensação em detrimento do objecto real. Um certo interseccionismo entre planos diferentes, visualismo e memória, real e imaginário, etc, (concretizado muitas vezes em hipálages sugestivas). [Ler tudo ]

 


Fonte: Prof 2000.pt, acedido a 21/05/2010
 

 

 

Contrariedades, de Cesário Verde
Adaptação do poema "Contrariedades" do poeta Cesário Verde, por Noé Touraldo; música de Amontron; com Pedro Ribeiro e Ana Machado - 2009
Menção honrosa no Festival Bibliofilmes, 2009

 
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=uSN1YgVyQZ8, acedido a 21/05/2010

 

"De Tarde" de Cesário Verde , por Luís Gaspar

 
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=cZH__Z4XWpI, acedido a 21/05/2010

 

"De Tarde" de Cesário Verde , por Mário Viegas

 
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=V7CHw2amI6Y, acedido a 21/05/2010

 

Ler Cesário Verde

 
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=vQAPqTlHHvs, acedido a 21/05/2010