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Biografia
Manuel Lopes da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém, em 15 de
Outubro de 1911, filho de Carlos Augusto da Fonseca e Maria
Silvina Lopes.
Residiu em Santiago do Cacém até completar a instrução primária
e terá sido nesta fase que, por influência do pai, ganhou gosto
pela leitura e pela escrita.
Por
volta dos 10 ou 11 anos, começou a escrever sobre o que via e
sentia. É desta altura, uma poesia sobre os moinhos das Cumeadas
“com as suas velas girando e gemendo”, o seu
“choro que nunca mais parava”. Ainda por esta altura,
escreveu também crónicas sobre o mar, tema frequente na sua
escrita.
Prosseguiu os estudos em Lisboa, primeiramente no colégio Vasco
da Gama, posteriormente no Liceu Camões (onde foi colega de
Álvaro Cunhal), na Escola Lusitânia e, finalmente, na Escola de
Belas-Artes que abandonou nos primeiros anos para se dedicar à
literatura.
Apesar do seu fascínio pela cidade de Lisboa, onde gostava de
vaguear sem destino, sentiu sempre o apelo do Alentejo, do seu
Alentejo e as férias passava-as em Santiago na casa dos avós e,
mais tarde, na casa de uma tia.
Em
1925, surgiram, num jornal de Santiago do Cacém, poesias e
narrativas suas que a tia encontrou, numa gaveta da secretária
onde costumava estudar, e mostrou ao director do referido jornal
que as publicou.
O seu
primeiro livro – Rosa dos Ventos (poesias) – saiu
em 1940 e a sua publicação, que custou 805$00, foi paga por
escritores seus amigos: Alves Redol, Mário Dionísio e Piteira
Santos. A partir daí, foram surgindo com intervalos, por vezes
de alguns anos, as outras obras até às Crónicas Algarvias
(contos) - 1986, último livro publicado em vida do autor.
A sua
obra mostra-nos a alma alentejana, homens desafortunados, com os
seus problemas de amor, de ódio, de honra. Nela assomam
silhuetas torturadas, envoltas em sentimentos profundamente
humanos: o tédio, que leva frequentemente à alienação, a miséria
mas, também, a luta, já que ele próprio escreve como quem luta,
escreve por “ser do contra” e usa a palavra como uma arma na
batalha por uma sociedade mais justa. Assumindo uma postura de
contestação ao regime salazarista, a sua obra foi seguida de
perto pela PIDE. Na altura em que era presidente da Sociedade
Portuguesa de Autores, chegou mesmo a estar preso, sem
julgamento, no forte de Caxias, durante alguns meses.
Homem
de múltiplos interesses, para além da literatura, esteve ligado
à publicidade e ao jornalismo, colaborou em vários jornais e
revistas, interessou-se pelo toureio, pelo florete, jogou
futebol e chegou mesmo a ser campeão nacional de boxe.
Exerceu várias actividades ligadas ao comércio e à indústria,
trabalhando como caixeiro-viajante ou vendedor de seguros.
Na
sua vida pessoal, há ainda a salientar três casamentos e dois
divórcios.
Espírito livre de “Maltês”, de “Vagabundo do mar” prezava acima
de tudo a liberdade de seguir os seus próprios passos, de acordo
com o impulso do momento, “ao sabor da maré”, a liberdade
de seguir os “caminhos que só ele sabia”.
Como
reconhecimento pela sua obra, em 1983, foi-lhe atribuída, pelo
então presidente Ramalho Eanes, a Ordem Militar de Sant’ Iago de
Espada.
Morreu em Lisboa, em 11 de Março de 1993, algum tempo depois de
ter tido conhecimento de que iria ser atribuído o seu nome à
Escola Secundária da sua terra Natal.
Fonte:
Ana C. Ascenso,
Media - 3
[+
Informação no site da escola
►]
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Manuel da Fonseca
Seara de Vento, Lisboa, Caminho, 1984, 209p.
Cota: 821.134.3''19'' FON SEA |
Seara da Vento
Manuel da Fonseca, verdadeiro
clássico do romance neo-realista português, além de poeta e
contista, escreveu o romance Seara de Vento (1958), obra
famosa pela apreensão de aspectos da vida dos camponeses no
plano da ficção, em que o tratamento da antinomia cidade-campo é
bem diverso do uso tradicional. A obra, dentro da estética
neo-realista, é ainda notável porque nela o próprio sentimento
da morte passa a segundo plano em face de uma realidade social
insustentável do ponto de vista humano.
Mas não apenas na temática o Neo-Realismo introduziria inovações
na estrutura tradicional do romance. Também no modo de
apresentar as personagens, talvez por influência da técnica de
montagem cinematográfica, elas se apresentam a si próprias, pelo
método implícito ou dramático. Daí encontrar-se a psicologia do
comportamento como base da técnica de construção das
personagens.
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Fonte:
PasseiWeb, acedido a 11/03/2010
A entrevista (videos)

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