||| ESCOLA SECUNDÁRIA MANUEL DA FONSECA    SANTIAGO DO CACÉM

 
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Os Direitos Inalienáveis do leitor

1
O direito de não ler

2
O direito de saltar páginas

3
O direito de não acabar um livro

4
O direito de reler

5
O direito de ler não importa o quê

6
O direito de amar os heróis dos romances

7
O direito de ler não importa onde

8
O direito de saltar de livro em livro

9
O direito de ler em voz alta

10
O direito de não falar do que se leu

in: Daniel Pennac, Como um Romance, Porto, Asa, 1994

 

Autor do Mês
Março 2010

Manuel da Fonseca

Biografia

Manuel Lopes da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém, em 15 de Outubro de 1911, filho de Carlos Augusto da Fonseca e Maria Silvina Lopes.

 Residiu em Santiago do Cacém até completar a instrução primária e terá sido nesta fase que, por influência do pai, ganhou gosto pela leitura e pela escrita.

Por volta dos 10 ou 11 anos, começou a escrever sobre o que via e sentia. É desta altura, uma poesia sobre os moinhos das Cumeadas “com as suas velas girando e gemendo”, o seu “choro que nunca mais parava”. Ainda por esta altura, escreveu também crónicas sobre o mar, tema frequente na sua escrita.

Prosseguiu os estudos em Lisboa, primeiramente no colégio Vasco da Gama, posteriormente no Liceu Camões (onde foi colega de Álvaro Cunhal), na Escola Lusitânia e, finalmente, na Escola de Belas-Artes que abandonou nos primeiros anos para se dedicar à literatura.

Apesar do seu fascínio pela cidade de Lisboa, onde gostava de vaguear sem destino, sentiu sempre o apelo do Alentejo, do seu Alentejo e as férias passava-as em Santiago na casa dos avós e, mais tarde, na casa de uma tia.

Em 1925, surgiram, num jornal de Santiago do Cacém, poesias e narrativas suas que a tia encontrou, numa gaveta da secretária onde costumava estudar, e mostrou ao director do referido jornal que as publicou.

O seu primeiro livro – Rosa dos Ventos (poesias) – saiu em 1940 e a sua publicação, que custou 805$00, foi paga por escritores seus amigos: Alves Redol, Mário Dionísio e Piteira Santos. A partir daí, foram surgindo com intervalos, por vezes de alguns anos, as outras obras até às Crónicas Algarvias (contos)  - 1986, último livro publicado em vida do autor.

A sua obra mostra-nos a alma alentejana, homens desafortunados, com os seus problemas de amor, de ódio, de honra. Nela assomam silhuetas torturadas, envoltas em sentimentos profundamente humanos: o tédio, que leva frequentemente à alienação, a miséria mas, também, a luta, já que ele próprio escreve como quem luta, escreve por “ser do contra” e usa a palavra como uma arma na batalha por uma sociedade mais justa. Assumindo uma postura de contestação ao regime salazarista, a sua obra foi seguida de perto pela PIDE. Na altura em que era presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, chegou mesmo a estar preso, sem julgamento, no forte de Caxias, durante alguns meses.

Homem de múltiplos interesses, para além da literatura, esteve ligado à publicidade e ao jornalismo, colaborou em vários jornais e revistas, interessou-se pelo toureio, pelo florete, jogou futebol e chegou mesmo a ser campeão nacional de boxe.

Exerceu várias actividades ligadas ao comércio e à indústria, trabalhando como caixeiro-viajante ou vendedor de seguros.

Na sua vida pessoal, há ainda a salientar três casamentos e dois divórcios.

Espírito livre de “Maltês”, de “Vagabundo do mar” prezava acima de tudo a liberdade de seguir os seus próprios passos, de acordo com o impulso do momento, “ao sabor da maré”, a liberdade de seguir os “caminhos que só ele sabia”.

Como reconhecimento pela sua obra, em 1983, foi-lhe atribuída, pelo então presidente Ramalho Eanes, a Ordem Militar de Sant’ Iago de Espada.

Morreu em Lisboa, em 11 de Março de 1993, algum tempo depois de ter tido conhecimento de que iria ser atribuído o seu nome à Escola Secundária da sua terra Natal.

Fonte:  Ana C. Ascenso, Media - 3

[+ Informação no site da escola ]

 


Manuel da Fonseca
Seara de Vento, Lisboa, Caminho, 1984, 209p.
Cota: 821.134.3''19'' FON SEA

 

Seara da Vento

Manuel da Fonseca, verdadeiro clássico do romance neo-realista português, além de poeta e contista, escreveu o romance Seara de Vento (1958), obra famosa pela apreensão de aspectos da vida dos camponeses no plano da ficção, em que o tratamento da antinomia cidade-campo é bem diverso do uso tradicional. A obra, dentro da estética neo-realista, é ainda notável porque nela o próprio sentimento da morte passa a segundo plano em face de uma realidade social insustentável do ponto de vista humano.

Mas não apenas na temática o Neo-Realismo introduziria inovações na estrutura tradicional do romance. Também no modo de apresentar as personagens, talvez por influência da técnica de montagem cinematográfica, elas se apresentam a si próprias, pelo método implícito ou dramático. Daí encontrar-se a psicologia do comportamento como base da técnica de construção das personagens.
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Fonte: PasseiWeb, acedido a 11/03/2010

 

 

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