||| ESCOLA SECUNDÁRIA MANUEL DA FONSECA    SANTIAGO DO CACÉM

 
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Os Direitos Inalienáveis do leitor

1
O direito de não ler

2
O direito de saltar páginas

3
O direito de não acabar um livro

4
O direito de reler

5
O direito de ler não importa o quê

6
O direito de amar os heróis dos romances

7
O direito de ler não importa onde

8
O direito de saltar de livro em livro

9
O direito de ler em voz alta

10
O direito de não falar do que se leu

in: Daniel Pennac, Como um Romance, Porto, Asa, 1994

 

Autor do Mês
Janeiro 2010

Mário de Carvalho

Biobibliografia

Mário de Carvalho nasceu em Lisboa no dia 25 de Setembro de 1944. É  romancista, dramaturgo e guionista. Em 1969 licenciou-se em Direito na Universidade de Lisboa.  Era contra o fascismo , por isso, foi preso durante a década de 60  e, depois, durante o serviço militar. Foi exilado primeiro em França e depois e na Suécia. Após o 25 de Abril regressou a Portugal.

Mário de Carvalho estreou-se como escritor em 1981 e desde aí tem publicado romances, drama, contos, guiões, etc.

A  sua escrita  é muito versátil , por isso, é impossível incluí-lo em escolas literárias. Os críticos consideram-no como um dos mais importantes ficcionistas da actualidade e as suas obras encontram-se traduzidas em diversos países como por exemplo Inglaterra, França, Bulgária e Espanha.

Mário de Carvalho  recebeu diversos prémios, destacando-se os que recebeu pelo seu romance histórico  Um Deus passeando pela brisa da tarde: Grande Prémio da APE em 1995, o Prémio Fernando Namora em 1996 e o Prémio Pégaso de Literatura nesse mesmo ano.

 

Contos

·         Contos da Sétima Esfera, 1981

·         Casos do Beco das Sardinheiras, 1982

·         A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho, 1983

·         Fabulário, 1984

·         Contos Soltos, 1986

·         Os Alferes, 1989

·         Contos Vagabundos, 2000

 

Romances

·         O Livro Grande de Tebas, Navio e Mariana, 1982

·         A Paixão do Conde de Fróis, 1986

·         Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, 1994

·         Era Bom que Trocássemos Umas Ideias Sobre o Assunto, 1995

·         Fantasia para dois coronéis e uma piscina, 2003

 

Novelas

·         Quatrocentos Mil Sestércios seguido de O Conde Jano, 1991

·         Apuros de um Pessimista em Fuga, 1999

 

Teatro

·         Água em pena de pato, 1991

·         Se Perguntarem por Mim, Não Estou, seguido de Haja Harmonia, 1999

Fonte:  Inna Fedchyshyn, 9ºA (2009/10)


 


Mário de Carvalho
Casos do Beco das Sardinheiras, Lisboa, Caminho, 2001, 87 p.
Cota: 821.134.3''19'' CAR CAS

 

Casos do Beco das Sardinheiras

Mário de Carvalho sabe desenroscar-se com argúcia na teia literária contemporânea. Algures entre o eruditismo e um agradável sabor popular, as suas criações são das mais agradáveis simbioses que a Editora Caminho tem posto sob os nossos olhos.

Mário é um prosador de pontaria certeira e os seus livros são muito digeríveis. Estórias que enredam, especialmente pelo inverosímil – a soar a Ray Bradbury ou a Jorge Luís Borges – e por um humor negro que Arthur Machen não desdenharia usar. Esta receita simples e inspirada, este cocktail de estranheza, conduziu Casos do Beco das Sardinheiras à terceira edição.

O livro exibe uma curiosa galeria de personagens – pessoas vulgares mas caricatas, alfacinhas embasbacados com o inusitado, de ombros encolhidos ao destino. Em comum, a partilha e o dar à língua sobre todas as microscópicas peripécias das suas vidas. Ei-los: a gata Tareca, o Manuel da Ribalda, o Paulinho Marujo, o Zé Metade (assim chamado porque ao tentar separar o Manecas Canteiro do Mota Cavaleiro ficou cortado em dois), a Dona Catalina, o Zeca da Carris... Tanta arraia-miúda, ao jeito vicentino ou de Fernão Lopes, dá-nos uma certa sensação de déjà vu.

A linguagem afiada e nativa do beco salta da boca do mulherio regateiro. As altercações, a bisbilhotice, as grandezas e misérias montam emboscada constante ao leitor. Porém, o mais convincente é o desconvincente das estórias ou crónicas – os fenómenos do Beco das Sardinheiras – espécie de Entroncamento lisboeta: um homem que engole a Lua, para espanto da Humanidade; uma pantera que come polícias; a pedra negra que não arreda pé da rua dos Eléctricos, nem mesmo à força de furgoneta; o misterioso trombone do tio Bento. Tudo coisas de embasbacar.

Uma dúzia de estórias para os descrentes da verosimilhança. Nem sempre tecidas com bom gosto, algo frágeis, de quando em quando, mas bem conseguidas pelo retrato caricatural que fazem da boa gente Portuguesa

Fonte: João de Mancelos in Projecto Vercial (http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/letras/crit003.htm), acedido a 05/01/2010

 

Orlando Azevedo lê Mário de Carvalho: